Stephen Leahy*
Toronto, 27/03/2007 (IPS/IFJ)(IPS) – Quase 40 mil hectares de florestas desaparecem por dia em razão da crescente avidez por madeira, celulose e papel.
E, paradoxalmente, também por causa dos biocombustíveis e créditos de carbono criados para proteger o meio ambiente. É um absurdo, dizem ambientalistas, que a crescente ansiedade para reduzir os feitos da mudança climática usando biocombustíveis e plantando milhões de árvores para conseguir créditos de carbono tenha se transformado em um novo motivo de desmatamento.
Esta situação piora a mudança climática porque o desmatamento emite na atmosfera muito mais gases causadores do efeito estufa do que toda a frota mundial combinada de automóveis, caminhões, aviões, trens e barcos. “Os biocombustíveis estão se convertendo rapidamente na principal causa de desmatamento em países como Brasil, Indonésia e Malásia”, disse à IPS Simone Lovera, coordenadora administrativa da não-governamental Coalizão Mundial pelas Florestas, com sede em Assunção. “Nós os chamamos de diesel de desmatamento”, acrescentou.
O óleo da palma da África é considerado uma das melhores fontes de biodiesel, e também uma das mais baratas. Empresas de energia investem milhões de dólares para adquirir e desenvolver plantações dessas árvores em países pobres. Vastas florestas na Indonésia, Malásia, Tailândia e muitas outras nações foram cortadas para seu cultivo. A palma produtora de óleo se converteu no principal cultivo frutífero do mundo, muito acima das bananas. O biodiesel oferece muitos benefícios ambientais. Contamina menos o ar do que outros combustíveis. Mas a enorme sede mundial de energia pode converter milhões de hectares em monoculturas dessa espécie.


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