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Às cegas no olho do furacão

Por Stephen Leahy

Toronto, 27/08/2007(IPS) – Meteorologistas prevêem várias tempestades gigantes na América do Norte e no Caribe para as próximas semanas, depois da passagem do furacão Dean, mas alertam que falta de vontade do governo dos Estados Unidos impede previsões precisas.

Os Estados Unidos e outros países se encontram em uma situação altamente vulnerável. As reduções no orçamento da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa) conspiram contra a previsão e pesquisa dos furacões. O furacão Dean, que açoitou Jamaica, Dominica, República Dominicana, Haiti e México, atingiu a categoria cinco, a máxima para este tipo de fenômeno na qual os ventos podem chegar a 250 quilômetros por hora.

“O território dos Estados Unidos sofrerá entre dois e quatro furacões de grande força este ano”, disse Gerry Bell, especialista da Administração Nacional do Oceano e da Atmosfera (NOAA), do Centro de Previsão do Clima, com sede em Maryland. “A região do Caribe pode esperar outras duas ou três tempestades de grande magnitude”, afirmou Bell à IPS. As de maior potência estão catalogadas como sendo de categoria três ou superior, com ventos de, pelo menos, 178 quilômetros por hora. A temporada de furacões no oceano Atlântico vai de 1º de junho a 30 de novembro.

Os meteorologistas da NOAA também prevêem entre 10 e 12 furacões e tempestades tropicais de menor força, categorias um e dois, embora de efeitos igualmente destrutivos. A tempestade tropical Erin provocou muitas inundações na região centro-oeste dos Estados Unidos na semana passada. “Estamos em uma época de muitos furacões e devemos nos preparar para várias temporadas semelhantes consecutivas”, afirmou Bell. As 10 tempestades do ano passado, que incluíram cinco furacões, embora apenas dois de categoria três ou superior, devem ser consideradas como uma “feliz aberração”, acrescentou. Uma mudança nos padrões climáticos no Atlântico criou condições para um ciclo de furacões muito mais ativo, que pode estender-se por 30 anos.

A mudança climática pode ter parte nesta tendência, mas são necessárias mais pesquisas para confirmar a hipótese. Entretanto, esses estudos estão em risco pela decisão da Nasa de adiar ou cancelar o lançamento de satélites que forneceriam informação valiosa sobre furacões, derretimento de gelos, secas e avanço do desmatamento, entre outros temas. O presidente norte-americano, George W. Bush, “decidiu que ir à Marte ou à Estação Espacial Internacional é mais importante”, disse Judith Curry, especialista da Escola Técnica da Terra e Ciências Atmosféricas, do Estado da Geórgia.

Às cegas no olho do furacão

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