Stephen Leahy
Gijón, Espanha, 23/05/2006, (IPS) – Os corais serão só primeiros ecossistemas a entrar em colapso nesta era histórica devido às mudanças climáticas, segundo pesquisadores reunidos em uma conferência científica que termina hoje na cidade espanhola de Gijón.
O aquecimento global aumenta a temperatura dos oceanos e os deixa mais ácidos, o que os deixa inabitáveis para os corais e outras espécies marinhas. Não são os únicos ecossistemas em risco: outros regionais são afetados atualmente.
Águas ácidas ou corrosivas foram detectadas pela primeira vez na plataforma continental da costa oeste da América do Norte, o que representa uma séria ameaça para as reservas pesqueiras, disse em Gijón o oceanógrafo Richard Feely, da Direção Nacional do Oceano e da Atmosfera dos Estados Unidos. Mais de 450 cientistas de aproximadamente 60 países participam desde segunda-feira deste encontro intitulado “Efeitos da mudança climática sobre os oceanos do mundo”.
Os informes a respeito foram conhecidos ontem, Dia Mundial da Biodiversidade. “As águas superficiais da costa de São Francisco têm concentrações de dióxido de carbono que não esperávamos ver, pelo menos, nos próximos cem anos”, disse Feely à IPS.
Durante centenas de milhares de anos os níveis de dióxido de carbono no oceano e na atmosfera se mantiveram estáveis, mas nos últimos 150 anos a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento elevaram a presença desse gás na atmosfera. Os oceanos absorveram um terço (cerca de 130 bilhões de toneladas) dessas emissões humanas, o que elevou sua acidez em 30%. Isso ocorre porque as moléculas desse dióxido de carbono extra formam ácido carbônico ao se unirem a íons de carbonato na água marinha. Diariamente os oceanos absorvem 30 milhões de toneladas de dióxido de carbono, aumentando gradual e inevitavelmente sua acidez e deixando menos carbonato de cálcio na água para que corais e outras espécies, como o fitoplâncton, cresçam ou mantenham seus esqueletos

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