01
Out
07

Tratado sobre ozônio esfria aquecimento global

Reportagem
Por Stephen Leahy, enviado especial

Os Estados Unidos protagonizaram a negociação para eliminar mais rapidamente gases que prejudicam a camada de ozônio e também agravam a mudança climática.

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MONTREAL, 24 de setembro (Tierramérica).- Os 191 países signatários do Protocolo de Montreal deram um passo histórico contra a mudança climática ao antecipar em uma década a eliminação total de substâncias destruidoras da camada de ozônio, que também são poderosos gases causadores do efeito estufa. Os Estados Unidos tiveram um papel fundamental na XIX Conferência das Partes do Protocolo de Montreal, junto com Brasil, Argentina, Canadá e União Européia, no sentido de apressar a eliminação dos hidroclorofluorcarbonos (HCFC), utilizados em refrigeração e aparelhos de ar-condicionado.

Isto equivale a eliminar até 38 bilhões de toneladas de gases que causam o efeito estufa, cinco vezes mais do que a redução estipulada no Protocolo de Kyoto – único acordo mundial obrigatório sobre mudança climática –, segundo o Painel de Avaliação Tecnológica e Econômica do Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destróem a Camada de Ozônio.

Dessa forma, serão reduzidas em pelo menos 3,5% as emissões globais desses gases no prazo de 20 a 25 anos, enquanto o Protocolo de Kyoto só prescreve uma redução de 5% por parte dos países desenvolvidos que o ratificaram, com prazo até 2012. Para conseguir o acordo, as nações ricas aceitaram contribuir com várias centenas de milhões de dólares entre 2008 e 2012 para ajudar países em desenvolvimento – como a China principal produtor de HCFC – na transição para novas substâncias e tecnologias.

A Conferência aconteceu de 11 a 21 deste mês, na cidade canadense onde há 20 anos foi assinado o tratado destinado a restaurar a camada de ozônio estratosférica, que protege a vida no planeta das radiações solares nocivas. Se 24 países não tivessem aderido a ele em setembro de 1987, o sol seria muito mais perigoso.

Seriam “20 milhões a mais de casos de câncer de pele e mais 130 milhões de casos de catarata, sem falar do dano ao sistema imunológico humano, à flora, à fauna e à agricultura”, disse Achim Steiner, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Graças ao tratado para reduzir substâncias que destróem o ozônio, principalmente clorofluorcarbonos (CFC), 95% desses gases foram eliminados e substituídos pelos HCFC, muito menos prejudiciais para a cobertura estratosférica. Estes últimos serão eliminados nos países ricos até 2015 e no mundo em desenvolvimento até 2030, dez anos antes do estabelecido até agora.

O rápido crescimento da Índia e da China disparou a produção de HCFC-22, utilizado principalmente nos aparelhos de ar-condicionado. A China passou de 24,4 destes aparelhos para cada cem residências urbanas há sete anos para 87,2 no ano passado. O HCFC-22 é bem menos prejudicial à camada de ozônio do que os clorofluorcarbonos que substituiu, mas seu impacto sobre o aquecimento global é mais de dez mil vezes superior ao do dióxido de carbono, principal gás causador do efeito estufa, disse ao Terramérica a secretária de Meio Ambiente da Argentina, Romina Picolotti.

Tratado sobre ozônio esfria aquecimento global


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