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Biocombustíveis agravam a mudança climática

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Stephen Leahy

Toronto, 11/02/2008(IPS) – O uso de biocombustível aumenta muito mais do que a gasolina o aquecimento da Terra, pois sua produção encarece os alimentos e, portanto, incentiva o desmatamento e a perda de pradarias naturais que detêm carbono.

O uso de etanol equivale a emissões de gases causadores do efeito estufa 93% mais altas do que as da gasolina, disse David Tilman, ecologista da Universidade de Minnesota e co-autor de um de dois informes a respeito divulgados na semana passada na revista Science. “O balanço final é que usar boa terra de cultivo para os biocombustíveis aumenta a emissão de gases causadores do efeito estufa”, acrescentou.

Supunha-se que o uso de etanol derivado do milho reduziria entre 10% e 20% por cento das emissões de gases causadores do efeito estufa em relação à gasolina. Mas os estudos anteriores não avaliaram o uso da terra na produção de combustível, que reduz a superfície dos cultivos de alimentos em um mundo faminto. Isso aumenta o preço dos alimentos e força a conversão de florestas em pradarias em terras de cultivo. Cada hectare transformado emite na atmosfera, em média, cerca de 351 toneladas de gases causadores do efeito estufa.

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As florestas e pradarias naturais absorvem carbono. Levaria 167 anos de produção de etanol para equilibrar a equação por hectare, inclusive assumindo que seu uso representa 20% menos emissões, afirmam Timothy Searchinger e seus colegas no outro estudo. Segundo Searchinger, isto ocorre com todos os biocombustíveis, embora os tempos sejam diferentes. Para compensar a dívida de carbono originada pela conversão de um hectare de floresta de turfa na Indonésia ou na Malásia para plantar palma seria necessário produzir biocombustível com esse cultivo durante 423 anos, diz o estudo.

Mas, infelizmente, grandes áreas dessas florestas tropicais já foram desmatadas Susan Page, especialista em florestas de turfa da britânica Universidade de Leicester, informou em dezembro que cerca de 3,2 milhões de hectares já foram convertidos e que em 25 anos suas superfícies terão lançado na atmosfera 3,22 bilhões de toneladas de gases causadores do efeito estufa. Cada tonelada de óleo de palma produzida ali resultará em uma emissão de até 70 toneladas de dióxido de carbono durante 25 anos devido à própria conversão, pela decomposição da turba e pelos incêndios para limpar a vegetação natural, disse Page.

A quarta parte do desmatamento no sudeste da Ásia em 2005 se deveu à conversão de florestas de turfa em plantações de palma. As florestas de turfa restantes armazenam de modo seguro entre 50 mil e 70 mil toneladas de carbono. Page também disse que preocupa muito o modo como se usa a terra nessa região. Estes são os primeiros estudos que avaliam o impacto da produção mundial de biocombustíveis sobre limpeza de terras. “Estas áreas naturais armazenam muito carbono, por isso transformar terras de cultivo determina a emissão de toneladas de carbono na atmosfera”, disse Joe Fargione, cientista da Nature Conservancy e co-autor do estudo publicado na Science.

Biocombustíveis agravam a mudança climática


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