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Jun
08

Grandes negócios se nutrem de pouco carbono

Stephen Leahy

Toronto, 24/01/2008(IPS) – Diante de um inevitável imposto sobre as emissões de carbono, algumas das maiores corporações do mundo pedirão aos seus fornecedores que informem sobre suas emissões como parte de futuros esforços de redução.

“Os investidores exigem que as companhias saibam quais são suas emissões de carbono e os consumidores querem que as empresas sejam verdes”, disse Paul Dickinson, presidente do Projeto de Revelação de Carbono (CDP), uma organização independente sem fins lucrativos na Grã-Bretanha que está coordenando o esforço. “Avizinha-se um preço global para o carbono, e estamos ajudando as empresas a se prepararem para operar em um mundo limitado pelo carbono”, disse Dickinson à IPS.

As emissões geradas pela queima de combustíveis fósseis como carvão, gás e petróleo estão causando a mudança climática, que provoca danos e perdas de milhares de milhões de dólares devido a tempestades mais intensas, temperaturas mais elevadas e mais inundações, entre outros fatores. Muitos economistas e especialistas em política reconhecem que, a menos que quem gera emissões de carbono seja obrigado a pagar um alto preço por elas, a maioria não mudará seu modo de operar.

Em seu novo livro, “Plano B 3.0: Mobilising to Save Civilisation” (Plano B 3.0: Mobilizando-se para salvar a civilização), Lester Brown, presidente do Instituto para as Políticas da Terra, com sede em Washington, recomendou um aumento dos impostos sobre carbono de US$ 20 por tonelada ao ano entre 2008 e 2020, estabilizando-se em US$ 240 por tonelada. Esse imposto seria compensado em cada fase com uma redução no imposto de renda para desestimular o uso de combustíveis fósseis e estimular os investimentos em fontes renováveis de energia.

Porém, poucas firmas sabem quais são suas emissões de carbono, porque não há nenhuma razão que as obrigue a medi-las, disse Dickinson. “Estamos tentando mudar isso porque se as empresas não medirem suas emissões não poderão manejá-las”, acrescentou. Cada uma das 11corporações que participam da Colaboração da Liderança da Cadeia de Fornecimento (SCLC) pedirá a até 50 fornecedores que preencham uma ficha de informação padronizada que seja aprovada no primeiro trimestre deste ano.

O objetivo do Projeto de Revelação de Carbono é ampliar a SCLC e terminar envolvendo dezenas de milhares de companhias da cadeia de fornecimento, bem como ajudar as grandes empresas e os fornecedores a desenvolverem estratégias para reduzir suas emissões de carbono. O Projeto de Revelação de Carbono está criando um enfoque único e padronizado para proporcionar um intercâmbio-chave de informação climática através de suas cadeias de fornecimento. “Esta é a fase um de um esforço maior que se concretizará em seguida para medir as emissões de todos os fornecedores”, disse Dickinson.

Os participantes deste primeiro projeto-piloto incluem Dell, Hewlett Packard, L’Oreal, PepsiCo, Cadbury Schweppes, Nestlé, Procter & Gamble, Tesco, Imperial Tobacco e Unilever. “Nossa associação com o Projeto de Revelação de Carbono na SCLC nos dará uma oportunidade tremenda de ajudar a reduzir não apenas nossas próprias emissões de carbono, mas, em última instância, as de nossa cadeia d fornecimento”, disse em uma declaração escrita Tod Arbogast, diretor de empresas sustentáveis na Dell.

Grandes negócios se nutrem de pouco carbono


1 Response to “Grandes negócios se nutrem de pouco carbono”


  1. 1 O Jota
    Junho 24, 2008 às 3:07 am

    Pois … pois … tem toda a razão, muito interessante, … mas … cá para o Zé Portuga, o que é que isto adianta?
    Na incapacidade de influenciar carteis do petróleo, gasolineiras multinacionais, e mesmo as nacionais, governos (o voto daqui a dois anos já irá tarde), etc. etc., o que podemos humildes cidadãos fazer?
    – Comprar no posto com a gasolina mais barata (forçar a concorrência).
    Para isso:
    1- Pressionar de todas as formas possíveis o Governo a seguir o conselho da Alta Autoridade, e a criar um site com os preços actualizados de todos os postos.
    2 – Na falta desse site (o que será para bastantes meses), consultar os sites desde já disponíveis, graças à boa-vontade de alguns ‘carolas’:
    http://www.maisgasolina.com
    http://www.gasmappers.com
    3- Registar-se nos sites e colaborar na actualização dos preços. Um pouco de solidariedade e civismo (no interesse de cada um e de todos), é um bom tema, para qualquer Blogista.
    O Jota


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