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Jun
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Petrolíferas contra os ursos polares

Stephen Leahy

Toronto, 13/03/2008(IPS) – Organizações ambientalistas entraram na justiça contra o governo dos EUA por suas omissões na proteção dos ursos polares, que podem se converter na primeira espécie animal considerada oficialmente ameaçada pela mudança climática.

A enorme perda de gelo no Ártico no verão de 2007, atribuída ao aquecimento global, leva muitos cientistas a preverem que esse mar será totalmente líquido em 2012. Os ursos polares são excelentes nadadores, mas não são muito bons caçando foca – sua principal fonte de alimento – dentro da água.

O escritório de Pesca e Vida Silvestre dos Estados Unidos tinha prazo até 9 de janeiro para cumprir a Lei sobre Espécies em Perigo de Extinção e decidir formalmente se os ursos polares estão nessa categoria. Mas seus funcionários mantiveram silêncio. Enquanto isso, as autoridades norte-americanas licitavam, no dia 6 de fevereiro, projetos de extração de petróleo e gás no valor de US$ 2,6 bilhões em uma área com mais de 121 mil quilômetros quadrados, um dos principais habitat de ursos polares do mar de Chuckhi, no Alasca, no extremo noroeste da América do Norte.

“Coincidência? Duvido, mas, não temos a arma homicida para demonstrar isso”, disse Kassie Siegel, do não-governamental Centro para a Diversidade Biológica (CDB), com sede na localidade de Joshua Tree, na Califórnia. O Centro, junto com as organizações ambientalistas Greenpeace Internacional e Conselho de Defesa dos Recursos, apresentaram a demanda contra o governo de George W. Bush por deixar passar o prazo para cumprir a Lei sobre Espécies em Perigo de Extinção. “Não havia nenhuma urgência em realizar a licitação, à qual muitos se opuseram”, garantiu Siegel à IPS.

Se o Escritório de Pesca e Vida Silvestre tivesse incluído os ursos polares na lista de espécies em risco de extinção no dia 9 de janeiro, o leilão não poderia ter acontecido sem a realização de estudos de impacto ambiental, disse o ativista. Mas, se o fizer no futuro, o governo será obrigado a anular a licitação, o que implicará a recompra do preço comprometido pelas companhias de energia, e a preço de ouro. Esta demanda judicial, entre outras iniciadas em 2005 em defesa dos ursos polares da área, e a licitação dos recursos energéticos do Alasca, tem mais a ver com o aquecimento do planeta do que com esta espécie de grandes mamíferos, maiores que o urso cinza.

Trata-se de uma estratégia de obrigar, tangencialmente, o governo norte-americano a reduzir suas emissões de gases causadores do efeito estufa. Se os ursos polares estiverem ameaçados pela mudança climática, Washington estará obrigado a reduzi-las, de acordo com a Lei sobre Espécies em Perigo de Extinção. “Não seria um substituto para um limite do governo federal às emissões, mas é alguma coisa. Não reduziremos nossas emissões em um passe de mágica. Necessitamos muitas soluções”, disse Siegel. Embora a região ártica tenha se transformado por uma mudança climática que apenas piora, há uma intensa oposição de comunidades nativas à inclusão dos ursos polares na lista de espécies ameaçadas. Sua caça representa US$ 2 milhões por ano ao povo nunavut, por exemplo. No Canadá vivem 60% dos ursos polares do mundo, estimados entre 20 mil e 25 mil exemplares. Caçados quase até a extinção na década de 70, sua população cresceu graças a rígidas cotas de captura.

Petrolíferas contra os ursos polares


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