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Ago
08

MUDANÇA CLIMÁTICA: Um jogo de avarentos

Stephen Leahy 

Toronto, 07/04/2008, (IPS) – Cada vez há mais provas de que a mudança climática pode instalar um caos no futuro como nenhum outro fenômeno conhecido, segundo uma original pesquisa publicada em uma prestigiosa revista científica norte-americana. 

Tomar medidas coletivas a tempo de evitar o pior significa recompensar ações sustentáveis, punir os que contaminam e parabenizar publicamente aqueles que procuram proteger o meio ambiente, diz o estudo.

Todas as nações fixarão um objetivo e um cronograma para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa liberadas pela queima de combustíveis fósseis quando se reunirem em Copenhague no final de 2009 por ocasião da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática. A maioria dos cientistas atribui o aquecimento do planeta a esses gases, como o dióxido de carbono, metano e óxido nitroso. Numerosos cientistas insistem que o objetivo a ser fixado para 2020 deve ser uma redução entre 25% e 40%, em relação às emissões registradas em 1990.

A comunidade internacional poderá alcançar esse objetivo coletivo por meio de ações individuais quando todo o mundo sofre de forma individual as conseqüências de não alcançar a meta? A resposta simples é: não. Pelo menos esse foi o resultado de um experimento realizado para avaliar a capacidade das pessoas em lidar com esse tipo de situação. “As pessoas não agem racionalmente, nem mesmo para proteger seus próprios interesses”, disse Manfred Milinski, do Instituto Max Planck de Evolução Biológica em Plon, na Alemanha.

O experimento de Milinski é um jogo simples. Seis pessoas recebem 40 euros (pouco mais de US$ 62) em suas contas bancarias. Em cada jogada devem transferir de forma anônima entre zero, dois e quatro euros (US$ 3 e US$ 6) para uma “conta climática” coletiva. Depois de 10 rodadas, o jogo termina e a conta climática deve ter pelo menos 120 euros (mais de US$ 187). Se essa quantia for alcançada ou superada, o clima se salva e cada jogador pode ficar com a quantidade que restou em sua conta. Mas, se não chegam a depositar os 120 euros, há 90% de possibilidades de o clima e os jogadores serem perdedores.

Dez grupos jogaram e apenas cinco alcançaram o objetivo, e estes o fizeram por pouco. Um resultado surpreendente se lembrarmos que a todos foram mencionados os graves riscos que a mudança climática representa. Se em cada jogada todos contribuíssem com dois euros, o objetivo seria alcançado, se salvava o clima e os jogadores levavam 20 euros no bolso. Simples. Todo mundo ganhava. “Todos os grupos deveriam ter alcançado o objetivo”, disse Milinski à IPS, ao explicar o estudo publicado pela revista científica norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences, (conhecida por suas siglas em inglês PNAS) no dia 19 de fevereiro. O que aconteceu, então?

Os jogadores começaram depositando dois ou mesmo quatro euros, mas depois pararam com a esperança de que outros depositassem por eles, assim ficariam com mais dinheiro em suas contas. Ao que parece, a atitude de avareza de uma pessoa foi imitada pelas outras. Mas, no final do jogo, ao ver que não se chegava ao objetivo e todos perderiam, as contribuições disparara. Para metade dos grupos já era muito tarde e por uns poucos euros não alcançaram a meta. “Foi o experimento mais frustrante que já fiz”, disse Milinsiki. Os resultados o levam a se preocupar com os problemas graves que a humanidade enfrenta.

mais….Um jogo de avarentos


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