18
Nov
08

Outra revolução verde, porém melhor

org-food-kenya-sml

Stephen Leahy

Johannesburgo, 08/042008, (IPS) – Especialistas em agricultura que representam 60 governos exploram esta semana na cidade sul-africana de Johannesburgo caminhos para garantir a segurança alimentar mundial.

O plenário intergovernamental da Avaliação Internacional do Conhecimento, da Ciência e da Tecnologia no Desenvolvimento Agrícola (IAASTD), que começou ontem e vai até o próximo sábado, transcorre em um contexto de alta no preço dos alimentos e com centenas de milhões de pobres sofrendo com a fome em todo o mundo.

Em 2007, o preço do milho aumentou 31%, o da soja 87% e o do trigo 130%. As reservas de grãos estão em seu nível mais baixo e o estoque dos silos são suficientes para apenas 40 dias de abastecimento. A produção de alimentos deveria duplicar nos próximos 25 ou 50 anos para alimentar os três bilhões de habitantes que se somarão à população do planeta até 2050. “O problema de como alimentar o mundo não pode ser mais urgente”, ressaltou o diretor da IAASTD, Roberto Watson, chefe de cientistas do Departamento de Meio Ambiente a Agricultura da Grã-Bretanha.

Os resultados da IAASTD, cuja pesquisa demorou três anos, indicam que o modelo corporativo hoje predominante na agricultura deveria mudar radicalmente para evitar uma crise social mundial e o colapso ambiental, explicou Watson. “A agricultura deixa sua marca nas grandes questões ambientais: mudança climática, biodiversidade, degradação do solo, qualidade da água, etc”, acrescentou. A IAASTD reuniu mais de 400 cientistas dedicados ao estudo do conhecimento disponível de práticas agrícolas para encontrar mecanismos que dupliquem a produção de alimentos nos próximos 25 ou 50 anos, e de forma sustentável.

Uma das conclusões a que chegaram é que o desafio obriga combinar os conhecimentos locais e tradicionais com o saber formal. Os cientistas realizaram cinco avaliações regionais, um documento de síntese e um resumo executivo para os responsáveis por desenhar as políticas nessa área. Do processo participaram delegados de 30 países do Norte industrializado e do Sul em desenvolvimento, representantes da indústria de pesticidas e de biotecnologia, além de uma ampla gama de organizações internacionais não-governamentais, como Greenpeace e Oxfam. Também foram organizadas conferências para saber a opinião de entidades de produtores e consumidores, bem como de outros atores do setor privado.

Mas, as maiores companhias de pesticidas e biotecnologia, Syngenta e BASF, e sua associação industrial Crop Life International, abandonaram o processo no ano passado. As empresas alegaram que o rascunho do documento final mostrava muita cautela em relação aos possíveis riscos dos cultivos geneticamente modificados e exagerado ceticismo sobre seus benefícios. “É uma pena que tenham se retirado”, afirmou Josh Brandon, do capítulo canadense do Greenpeace. “Não creio que estejam acostumados a trabalhar com uma grande variedade de atores em um mesmo plano de igualdade”, acrescentou.

Outra revolução verde, porém melhor


0 Responses to “Outra revolução verde, porém melhor”



  1. Deixe um Comentário

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: