01
Mar
11

IPCC da biodiversidade prestes a sair à luz

Por Stephen Leahy

As negociações comerciais poderão ficar sob a lente de um novo organismo científico dedicado a avaliar os impactos humanos na perda de diversidade biológica.

UXBRIDGE, Canadá, 28 de fevereiro de 2011 (Tierramérica).- Após cinco anos de preparações, será formalmente lançada este ano a Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistemas (IPBES). Para alguns de seus defensores, até as decisões da OMC deveriam passar por sua análise. A IPBES funcionará de maneira análoga ao Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC), mas dedicada à biodiversidade.

A ideia que guia este esforço é a de que as decisões tomadas em todas as hierarquias de governos são as responsáveis primordiais pela redução de espécies e ecossistemas que mantêm a vida na terra. Para isto, os governos necessitam de um órgão científico independente e rigoroso, que possa avaliar o impacto de suas políticas e decisões. “As pessoas não costumam apreciar a importância da biodiversidade nem o quanto está em jogo com sua perda”, disse ao Terramérica o professor de Economia Ambiental da norte-americana Arizona State University, Charles Perrings.

“Biodiversidade” é o termo usado para descrever a ampla variedade de seres vivos que formam a infraestrutura biológica do planeta e nos fornecem saúde, riqueza, alimentos, água, combustível e outros serviços vitais. Informes como a Perspectiva Mundial sobre a Diversidade Biológica 3, divulgada no ano passado, documentam como certas políticas e o descumprimento das leis colocam em risco esta infraestrutura biológica. Muitas pessoas não compreendem até que ponto a humanidade depende destes serviços e a velocidade com que estão mudando a biodiversidade, alertou Charles.

via Tierramérica.

28
Jun
09

DESTAQUES: Propostas pautas verdes para biocombustíveis>

Sugar cane field oz RSLpixStephen Leahy

BONN, 2 de junho, (IPS) – (Tierramérica)

O mundo começa a discutir regras ambientais para a produção de combustíveis agrícolas.

A adoção de pautas internacionais para a produção sustentável de biocombustíveis surgiu como uma opção polêmica na Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, realizada em Bonn em maio. As propostas, ainda vagas, indicam que se “pode promover a produção, conversão, o uso e comércio sustentáveis de biocombustíveis” e giram em torno de reduzir “incentivos perversos”, como os subsídios europeus e norte-americanos.

Os também chamados agrocombustíveis, refinados de cultivos como milho, cana-de-açúcar e soja, suportam uma onda de criticas dos que os consideram culpados pela atual carestia alimentar. Também são acusados de agravar a destruição de ecossistemas, ao empurrar outras produções agropecuárias ao corte e colonização de matas virgens. Precisamente, frear a crescente onda de extinções de flora e fauna foi um dos propósitos da reunião de Bonn.

“O Convênio das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica pode contribuir garantindo que os biocombustíveis sejam ecologicamente sustentáveis”, disse ao Terramérica Jochen Flasbarth, do Ministério de Meio Ambiente da Alemanha, um dos delegados presentes na IX Conferência das Partes desse tratado, realizada entre 19 e 20 de maio.

Alguns países nem mesmo quiseram discutir o assunto durante o encontro, mas o presidente do Convênio, o ministro alemão do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, insistiu nisso. Em lugar de esperar pelo desenvolvimento de critérios de sustentabilidade, algumas organizações ambientalistas insistem em acabar com os subsídios, as exonerações de impostos e as cotas de consumo de biocombustíveis.

via DESTAQUES: Propostas pautas verdes para biocombustíveis>

28
Jun
09

Os dólares não são verdes>

lone elephant zambiaStephen Leahy

Bonn, 02/06/2008, (IPS)

Políticas econômicas que descuidam da biodiversidade causam aos serviços proporcionados pela natureza à população mundial perdas que chegam a US$ 78 bilhões, segundo um informe da União Européia e do governo alemão.

Uma versão preliminar do estudo intitulado “A economia dos ecossistemas e a biodiversidade” foi apresentada em Bonn, na Alemanha, onde na sexta-feira (30) terminou a IX Conferência das Partes do Convênio das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica (COP9). A reunião, que começou no último dia 19, contou com a participação de mais de seis mil representantes de 70 países.

Em 2006, outro informe oficial, o Stern Review, realizado pelo Tesouro da Grã-Bretanha, alertou empresas e governos que combater a mudança climática custaria muito menos do que ignorá-la. O informe divulgado na quinta-feira situa o dano ecológico causado anualmente às áreas terrestres do planeta em US$ 78 bilhões.

“Com o atual ritmo de perda de biodiversidade, o mundo em desenvolvimento nunca ficará em dia com o mundo industrializado”, disse à IPS Pavan Sukhdev, principal autor do informe e diretor de mercados globais da filial indiana do Deutsche Bank.

“A pobreza não pode ser eliminada com a contínua queda dos serviços dos ecossistemas”, acrescentou. Continue a ler ‘Os dólares não são verdes>’

30
Mar
09

Mexicanos Protestam Contra Mineradora Canadense

gold-mining-in-borneo

Stephen Leahy

TORONTO, 23 de junho, (IPS) – (Tierramérica) A polêmica sobre a exploração de ouro em Cerro de San Pedro mudou para um hotel de Toronto, onde se reuniam os acionistas da empresa Metallica, dona da mina.

Ativistas e moradores do Estado mexicano de San Luis Potosí viajaram até Toronto para dizer aos acionistas de uma empresa mineradora canadense que a mina de ouro e prata do Cerro de San Pedro é ilegal e perigosa para o meio ambiente. A viagem terminou no dia 17 com um membro da delegação, o deputado mexicano Armando Barreiro, golpeado pela polícia de Toronto, quando acabava de expor suas razões perante a reunião anual de acionistas da Metallica Resources Inc., proprietária da mina.

Barreiro, do esquerdista Partido Revolucionário Democrático (PRD), afirmou que o Congresso de seu país aprovaria uma declaração solicitando o fechamento da mina. “Isto foi uma agressão e uma falta de respeito com alguém que logo se identificou como representante do povo mexicano. Contrasta profundamente com a atitude pacífica e respeitosa com que nos portamos”, disse Barreiro ao Terramérica. A polícia também expulsou do lugar Juan Carlos Ruiz, professor de história do Colégio de San Luis, integrande da delegação da Frente Ampla Opositora (FAO), contrária à mina de Cerro de San Pedro.

“Queremos que os canadenses sejam conscientes de que seus investimentos causam sérios danos ambientais e sociais em outros paises. A exploração fica ao lado de monumentos de importância nacional”, disse Ruiz ao Terramérica. “Uma igreja histórica apresenta grandes rachaduras nas paredes devido às explosões com dinamite na mina”, acrescentou. A aldeia de Cero de San Pedro, cerca de 400 quilômetros ao norte da cidade do México, fica em metade do terreno de operações da Mineradora San Xavier, subsidiária da Metallica, que está já há 18 meses explorando os filões de ouro e prata da montanha.

via REPORTAGEM: Mexicanos protestam contra mineradora canadense>

30
Mar
09

A hora da energia renovável

 

windmill-winter1Stephen Leahy

Kingston, Canadá, 26/06/2008, (IPS) – A mudança climática arrasa os Estados Unidos para “uma crise muito mais séria” do que as Segunda Guerra Mundial, alertou o ambientalista David Suzuki na Conferência Mundial sobre Energia Eólica.

Há 20 anos, um dos mais destacados cientistas norte-americanos, James E. Hansen, advertiu o Congresso de seu país sobre a ameaça da mudança climática e considerou em um informe perigoso deixar o tempo passar sem tomar medidas para minimizar o fenômeno.

Hansen, que trabalha na Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa), acaba de publicar novas pesquisas segundo as quais a concentração de gases causadores do efeito estufa chegou a um ponto em que pode desatar mudanças na atmosfera e nos oceanos que exigiriam milênios para serem revertidos. Para evitar isso, Hansen cobrou drásticas reduções nas emissões de dióxido de carbono, começando quase que imediatamente, e o abandono até 2030 das usinas de energia elétrica alimentadas com carvão. Os especialistas consideram que se trata de um grande desafio, mas que é possível conseguir isso.

Suzuki lembrou aos delegados que participaram da conferência que os Estados Unidos conseguiram responder ao enorme desafio que representou a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), assim como há 50 anos, quando hoje a extinta União Soviética colocou o primeiro satélite no espaço e depois o primeiro cosmonauta. “Os Estados Unidos estavam muito atrasados, mas a nação não se rendeu”, afirmou Suzuki. Esse país, que se beneficiou enormemente de seus investimentos em pesquisa espacial através de novas tecnologias como satélites, telefone celular, pilhas de combustível, etc., também criou o clima que deu a ele a supremacia no campo da pesquisa científica.

via MUDANÇA CLIMÁTICA: A hora da energia renovável>

16
Jan
09

O ocaso dos corais

image-courtesy-of-jen-veron-corals-of-the-worldStephen Leahy

Gijón, Espanha, 23/05/2006, (IPS) – Os corais serão só primeiros ecossistemas a entrar em colapso nesta era histórica devido às mudanças climáticas, segundo pesquisadores reunidos em uma conferência científica que termina hoje na cidade espanhola de Gijón.

O aquecimento global aumenta a temperatura dos oceanos e os deixa mais ácidos, o que os deixa inabitáveis para os corais e outras espécies marinhas. Não são os únicos ecossistemas em risco: outros regionais são afetados atualmente.

Águas ácidas ou corrosivas foram detectadas pela primeira vez na plataforma continental da costa oeste da América do Norte, o que representa uma séria ameaça para as reservas pesqueiras, disse em Gijón o oceanógrafo Richard Feely, da Direção Nacional do Oceano e da Atmosfera dos Estados Unidos. Mais de 450 cientistas de aproximadamente 60 países participam desde segunda-feira deste encontro intitulado “Efeitos da mudança climática sobre os oceanos do mundo”. Continue a ler ‘O ocaso dos corais’

03
Jan
09

DIALOGUES: “A falta de alimentos é um mito persistente”

Stephen Leahy (Tierraméricaveg-food-basket)

LONDRES, 19 de maio, (IPS) – (Tierramérica) O encarecimento do petróleo e do transporte pode obrigar os governos a voltarem a confiar na produção local de alimentos, afirma em entrevista ao Terramérica o cientista Michel Pimbert.

O especialista Michel Pimbert propõe valorização da produção e da distribuição locais de alimentos.

A atual crise alimentar fez reviver o mito de que o mundo não produz comida suficiente para toda sua população, afirma Michel Pimbert, autor de um novo estudo que propõe valorizar a produção local. A crise é uma manufatura do sistema global de mercado, afirma Pimbert, diretor do Programa de Agricultura e Biodiversidade do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (IIAD), com sede em Londres. Continue a ler ‘DIALOGUES: “A falta de alimentos é um mito persistente”’